terça-feira, 23 de outubro de 2012

É inerente ao ser humano preferir o prazer!

Muita gente que conhece meus hábitos, comenta que gostaria de ter uma vida mais ativa, mas que não tem força de vontade, tempo ou pré-disposição para isso. 
Também ouço muitos comentarem que já tentaram e que atividade física não combina com eles. Ou então o pior dos resultados, quando me dizem: "eu comecei, me machuquei e precisei parar".

O resumo geral da história é que muitos tentam uma vida ativa, mas a grande maioria desiste, pelos mais diversos motivos. Vamos então tentar entender algumas das razões e situações que levam à desistência.

É comum encontrarmos situações nas quais:
- existe a ignorância em relação aos prazos necessários para que as mudanças aconteçam no corpo;
- a falta de conhecimento dos próprios limites produz lesões;
- ocorre a junção das duas situações acima quando o exagero está relacionado à pressa em atingir objetivos;
- a ideia falsa que o treino de dificuldade extrema trará resultados mais rápidos.

As situações acima tem como ponto comum a ansiedade, pressa por resultados, o desespero para recuperar o tempo perdido. Infelizmente essa forma de encarar o execício físico produz dor, desprazer e frustração. A atividade física é então associada a uma obrigação dolorosa e é abandonada.

Existe um tempo de adaptação.
Você descobriu que foi enganado! Que todas aquelas bobagens que leu nas revistas de saúde são mentira. Que não existe mudança significativa em seis semanas. Pelo menos, não existe solução rápida que não cobre um preço alto da sua saúde. Mudanças saudáveis e duradouras demoram muitos meses para acontecer. Sua expectativa estava errada e você está frustrado.

Existe a intensidade certa.
Você vai se machucar, se por alguma razão louca, você acredita que pode correr uma meia maratona depois de apenas 3 meses de treino. Se você comprar sua bike hoje e tentar daqui a quinze dias pedalar cem quilômetros, vai sofrer as consequências. Se você se machucar, vai ficar várias semanas de molho, e nunca mais retomar sua atividade física. Ou então, o seu treino se tornará tão doloroso que não existirá nenhum argumento que possa convencê-lo a não desistir.

E o que fazer para lidar com essas situações?

Em relação ao tempo:
Eu uso uma estratégia para lidar com isso. Eu tenho medidas precisas de todos os meus treinos. As métricas permitem acompanhar minha evolução. Deste modo, mesmo quando eu estou evoluindo lentamente, eu posso observar a melhora constante no meu desempenho, e isso me motiva. Mais importante que estabelecer uma meta para daqui um ano, é importante saber que daqui a um ano estará muito melhor que agora. Com a experiência, é possível ter uma noção realista dos prazos necessários para atingir certas metas, mas isso não vale para os novatos.

Em relação a intensidade:
A métrica ajuda a ter controle sobre a intensidade, somente se você souber como definir com segurança, o que é ou não intenso para você. Caso você não tenha o conhecimento para determinar isso, sugiro contratar um profissional ou frequentar uma academia séria! Um profissional vai te ajudar a montar um plano de treino, onde as intensidades aumentarão progressivamente, de um modo seguro e lento. Não importa se o seu negócio é corrida, natação, ciclismo ou musculação. Um profissional qualificado é fundamental. 

É a combinação correta desses dois elementos, tempo e intensidade, que distingue atividades físicas prazerosas de atividades dolorosas.

O corpo responde com prazer quando você supera seus limites com uma intensidade controlada, respeitando os limites de tempo necessários para a recuperação de seu corpo após cada treino. Respeitar essa  regra, faz com que seu corpo se torne gradativamente mais apto para responder às exigências do treino, proporcionando mais prazer e permitindo intensidades maiores!

O corpo responde com dor quando você supera seus limites com uma intensidade exagerada, ignorando o tempo necessário para que se recupere após cada treino. Essa atitude acumula lesões, reduzindo pouco a pouco o seu rendimento, até o ponto em que a dano provocado é tão sério que impede a continuidade da atividade física.

Somente profissionais competentes podem dosar o seu treino corretamente. Cuidado com os treinadores que acreditam na dor como caminho para a auto-superação!

Não imagine que aquelas centenas de pessoas correndo, pedalando ou treinando cedinho no parque, ao som dos pássaros, ouvindo o vento na copa das árvores, sentindo o calor do sol no rosto, percebendo os movimentos do próprio corpo, estão sofrendo. As mudanças físicas e psicológicas produzidas pela atividade física são extremamente agradáveis!

É inerente ao ser humano preferir o prazer! E a atividade física é puro prazer se aprendida do jeito correto!

Que tal terminar o seu treino e relaxar com uma paisagem como essa?

Lago do Parque do Ibirapuera