terça-feira, 2 de abril de 2013

Desafio Bicicletas ao Mar

Participei da terceira edição do Desafio Bicicletas ao Mar, organizado pelo André Pasqualini (O bicicreteiro).

O desafio teve 5 semanas de duração com simulações de ciclo viagens todo domingo, e dois treinos noturnos em cada semana. Para detalhes sobre os passeios e como o projeto do desafio funciona, recomento que acesse o blog do André (http://bicicreteiro.org/2013/03/29/como-foi-o-3o-desafio-bicicletas-ao-mar/).


O projeto original culminaria com a realização da Rota  Márcia Prado. Chegaríamos ao mar partindo de São Paulo e desceríamos a estrada de manutenção da Rodovia dos Imigrantes até o litoral. Mas as chuvas de fevereiro destruíram a estrada de manutenção inviabilizando esta rota. Várias estradas e cidades do litoral do estado de São Paulo sofreram muito com as fortes chuvas e estavam em estado de emergência, o que nos deixou com a opção de ir para Ubatuba pela Rodovia Oswaldo Cruz. A cidade não teve problemas com as chuvas e a rodovia Oswaldo Cruz estava em boas condições.


No domingo, dia 24 de março de 2013, todos os desafiantes partiram de Taubaté seguindo para Ubatuba. Mas havia duas opções para chegar até Taubaté, ir de ônibus ou pedalar até lá! Eu optei pela segunda opção. Partimos da Praça da Sé no sábado, bem cedo, e percorremos 140 Km.


Honestamente, não tinha certeza se estava preparado fisicamente para percorrer 240 Km em dois dias. (140 Km de São Paulo até Taubaté e 90 Km de Taubaté até Ubatuba). Apesar de ter um bom condicionamento físico e pedalar bastante, essa distância seria o meu recorde pessoal.


Agora, depois da experiência, posso afirmar que no meu caso, o desafio físico foi menor que o desafio mental. É claro que é loucura tentar algo do tipo sem antes preparar o corpo. Sem o devido condicionamento físico, uma experiência que deveria ser fantástica se transforma em tormento e sofrimento, e ninguém deve se submeter a isso. Mas preparei meu corpo de modo gradativo e em ambientes controlados. 


Não havia submetido minha mente à experiência de estar a 40 Km de lugar algum, contando somente com minhas pernas, braços e cabeça para chegar ao meu destino. Esse distanciamento do comodismo do carro, do ar-condicionado, das estruturas de conveniência e suporte que estamos acostumados a ter, provoca um pouco de medo e um enorme frio na barriga! Mas ao mesmo tempo, esse afastamento deliberado da infra-estrutura de apoio, cria uma enorme sensação de auto-suficiência e faz um bem enorme para a nossa auto-estima.


Eu carreguei água, comida, uma troca de roupa, ferramentas da bicicleta e uma jaqueta impermeável, além da filmadora e máquina fotográfica. Tudo isso eu coloquei em dois pequenos alforges, um no guidão e outro no bagageiro traseiro. 


Saber que somente com esses objetos eu resolveria todos os meus problemas, modificou minha percepção em relação ao quanto nos fragilizamos e nos tornamos dependentes de certas coisas. Esta é uma sensação que eu já havia sentido, mas num nível muito menor. 


Eu treino corrida de rua e simplesmente me acostumei tanto com a chuva que ela não me perturba mais. Eu me divirto caminhando no parque durante a chuva, acompanhado de mais alguns colegas corredores, enquanto observo a multidão desesperada procurando abrigo. O contexto "civilizado", o mundo moderno, nos afastou muito de nossa origem animal, muito mais próxima da natureza, do sol, da grama, da chuva, das flores, dos pássaros e de toda essa estética linda, impossível de captar sentado no sofá.


A experiência na bicicleta foi muito mais intensa que a da chuva no parque. Pedalando à 30 Km/h, com o céu sobre o capacete, o vento no rosto, sentindo o coração pulsar e o sangue fluindo, eu observava os olhares admirados de alguns passageiros de carros que desaceleravam para observar nosso grupo. Eu tinha certeza que eles estavam me achando completamente maluco, assim como eu acho maluco quem se priva da alegria de vivenciar na pele essa sensação de poder, de conquista que vem do movimento do corpo.


É por conta dessa sensação, que as pessoas choram quando realizam grandes feitos físicos. Tem gente que chora na largada, tem gente que chora quando chega ao destino e tem gente que chora antes, durante e depois! Quem já teve a oportunidade de participar ou assistir de perto uma maratona sabe do que estou falando. O choro vem da enorme emoção que é sensação de realização pessoal contida naquele momento.


Eu não chorei no final deste desafio, mas minha cabeça ficou processando todas essas emoções e percepções durante a semana que passou. Sem dúvida essa experiência mudou minha vida para sempre.


Agradeço muito ao André Pasqualini, que organizou o desafio e cuidou de todos os detalhes para garantir a nossa segurança com muita competência. Agradeço aos guias que acompanharam os grupos de ciclistas e a todos aqueles que percorreram o mesmo caminho. Eu sei que para cada um esse desafio teve uma conotação diferente, cada um viveu a experiência de um modo e nossas conclusões podem ser muito diferentes, mas tenho certeza que a emoção de concluir o caminho foi grande para todos que participaram. 

Abaixo seguem dois vídeos. O primeiro tem trajeto de São Paulo até Taubaté e o segundo tem somente o trecho da descida da serra na Rodovia Oswaldo Cruz.

Assim que terminar a edição do vídeo do segundo dia, atualizarei essa postagem.

No final da postagem, estão os arquivos com os treinos e rotas e treinos do Garmin Connect e Endomondo.






Álbum de fotos:
Clique aqui para visualizar mais fotos no Picasa

Arquivos com as rotas: 
Link com a rotas (courses) no garmin connect:
da Praça da Sé até Taubaté: http://connect.garmin.com/course/3110808
de Taubaté até Ubatuba: http://connect.garmin.com/course/3115697

Link com as rotas no Endomondo:

da Praça da Sé até Taubaté: http://www.endomondo.com/routes/168952165
de Taubaté até Ubatuba: http://www.endomondo.com/routes/169144581


Link com os treinos que realizei nos percursos acima:
da Praça da Sé até Taubaté: http://connect.garmin.com/activity/288725520
de Taubaté até Ubatuba: http://connect.garmin.com/activity/288725559
Ubatuba - Finalmente o mar: http://connect.garmin.com/activity/288725580

Se você criar uma conta no Garmin Connect (gratuitamente) e conectar com o seu usuário, terá acesso a opção de exportação do arquivo com o trajeto das trilhas acima, nos formatos tcx, gpx e kml.
Se você possuir um aparelho de navegação por GPS compatível com um desses formatos, poderá importar as informações para ele.