terça-feira, 4 de junho de 2013

Rota Marcia Prado

A Rota Márcia Prado fazia parte do roteiro original do DBM, mas por conta das fortes chuvas e da interdição da Estrada de Manutenção da Imigrantes não realizamos a descida.

Para mais informações sobre o que é o Desafio Bicicletas ao Mar, leia minha postagem.

Felizmente, com a liberação da estrada de manutenção pudemos realizar a rota no dia 19 de maio de 2013, e foi um prazer me reunir novamente com o pessoal do DBM - Desafio Bicicletas ao Mar. 


A rota tem seu nome em homenagem a cicloativista Márcia Prado, que morreu atropelada por um ônibus na Av Paulista. O acidente ocorreu em janeiro de 2009 e causou muita comoção. O assunto ocupou muito espaço na mídia, em geral com matérias péssimas e produzidas por jornalistas despreparados. Mas a polêmica colaborou para impulsionar a discussão e conscientização sobre a presença da bicicleta nas ruas e criou espaço para que outros cicloativistas e defensores do uso da bicicleta como meio de transporte pudessem dar a sua colaboração.
Segue o link para o site Vá de Bike,  onde há um texto muito legal, com mais detalhes sobre a história da Marcia Prado: Quem foi Marcia Prado

Para um ciclista acostumado a pedalar distâncias grandes (60 a 80 Km), a rota é relativamente fácil. A altimetria do trajeto colabora, já que não há subidas intermináveis e a descida da serra não é exageradamente íngreme. (caso tenha curiosidade para saber o que é uma serra íngreme, veja minha postagem com o vídeo da descida da Rodovia Oswaldo Cruz que liga Taubaté até Ubatuba).

É fundamental que os freios da bicicleta estejam regulados e as pastilhas novas. Praticamente em todo o trajeto da estrada de manutenção não há proteção nas curvas, ou seja, se você não conseguir frear, vai voar até a praia. Não quero assustar ninguém, o trajeto é extremamente seguro se realizado com inteligência e prudência. Muitas vezes, comentam comigo que andar de bicicleta é perigoso e que há um sério risco de se machucar. E eu sempre respondo que há vários modos de pedalar, e que realmente é muito perigoso descer a estrada de manutenção à 70 Km/h, mas nunca ouvi falar de ninguém que tenha se ferido descendo à 20 Km/h.

O ponto de partida foi na ciclovia da Marginal Pinheiros, na Estação Vila Olímpia.Quem frequenta a ciclovia da marginal deve conhecer a gatinha que mora por lá! Ela é muito mansa e gordinha, tenho certeza que é alimentada pelos frequentadores do local. Aproveitei a oportunidade para tirar uma foto com ela :D



Reunimos aproximadamente 120 ciclistas participantes do DBM e largamos às 7:30. O início do trajeto é simples, são 14 quilômetros pela ciclovia da Marginal Pinheiros até a saída da ciclovia na Av. Miguel Yunes.


Após a saída da ciclovia, são 10 Km até a primeira balsa. Pessoalmente não gostei dessa parte do trajeto, a região é muito populosa e o trânsito um pouco caótico, há muitos ônibus. O ideal é pedalar em grupo e ocupar toda a faixa. Se você fizer a rota em um domingo, vai encontrar uma feira livre no meio do caminho. Se a fome estiver muito grande o pastel e o caldo de cana podem ser uma opção interessante.


Após a feira, são somente mais 3 Km até a balsa. A primeira do Bororé. A balsa é pequena e cabem poucos carros. Mas mesmo com a balsa cheia é possível encaixar de 30 a 40 bicicletas nos espaços entre os carros, então não se desespere. Aguarde os carros se acomodarem e ocupe o espaço restante.




Saindo da primeira balsa, encoste na lateral da pista e aguarde os carros passarem, em um minuto todos terão saído e você poderá pedalar com tranquilidade durante quase todo o trajeto até a segunda balsa.

Próximo a saída da balsa, avistamos um igreja branca e azul, muito pequena que se destaca na praça.


O trecho entre as balsas do Bororé tem 6 Km e é muito tranquilo. Este é o ponto do passeio em que o visual se transforma já que saímos da região urbanizada e barulhenta. O cenário se torna mais agradável.



A segunda balsa atravessa a represa paralelamente ao Rodoanel Mário Covas (SP-021), e em direção à Rodovia dos Imigrantes. Não se enganem, não estamos próximos, usei um zoom de 12 vezes para tirar a foto acima.


Na segunda balsa, ocorreu o mesmo que na primeira, encaixamos as bicicletas entre os carros e não tivemos problemas. As travessias são rápidas, demoram no máximo 10 minutos.


Logo após a segunda balsa, encontramos a Padaria Comunitária. É o último ponto onde poderá comprar comida e o penúltimo onde encontrará água antes de Cubatão (há água potável em um ponto da descida da serra). É uma padaria bem simples mas tem tudo que é necessário para atender as necessidades básicas de um ciclista em trânsito. Água e carboidrato (pão). Também recomendo que as meninas aproveitem essa oportunidade para ir ao banheiro. Levem dinheiro para comprar coisas básicas durante os passeios de bicicleta. Muitos locais não aceitam cartão, ou tem problemas com as operadoras de telefonia, então levem dinheiro, preferencialmente trocado.

Da segunda balsa até o acesso da Imigrantes são aproximadamente 11 Km. O trecho de terra não é difícil, mas se o chão estiver úmido pode ser que não seja possível subir algumas ladeiras com pneu de asfalto. No dia que fiz a rota, o tempo estava relativamente seco e mesmo assim encontrei muitos pontos escorregadios. Empurrei em algumas subidas já que não tinha tração nenhuma. Na média, acho que vale a pena utilizar o pneu de asfalto, afinal de contas são somente 10 Km pedalando em estrada de terra e 85 Km no asfalto.


A chegada na Rodovia dos Imigrantes foi algo que me pegou de surpresa. Na verdade não há um acesso direto da estrada de terra para a rodovia. A solução é passar por baixo da estrada e empurrar a bicicleta pelo sulco de escoamento de água. Talvez seja algo complicado para fazer em um dia de chuva.


Após subirmos com as bicicletas, levantamos elas sobre a proteção da rodovia e pedalamos na contramão por um trecho de 8 Km mais ou menos. Neste ponto do trajeto é muito importante observar que não seguimos pela imigrantes em linha reta. Seria muito perigoso cruzar o entroncamento do acesso da Rodovia Anchieta, na contramão. A opção segura, está indicada no mapa abaixo. Devemos subir pelo acostamento do acesso da Anchieta, cruzar a estrada neste ponto, que tem pouco movimento e descer pelo acesso no sentido oposto, continuando pela contramão da Rodovia dos Imigrantes, até a entrada da estrada de manutenção. Esta é a opção segura, e muito mais fácil do que parece.


Visualizar Rota Marcia Prado em um mapa maior

Finalmente chegamos ao acesso da estrada de manutenção. Até o pé da serra, são 20 Km de estrada asfaltada. Há muito musgo, folhas, buracos e dependendo das chuvas, lama sobre o asfalto. O trajeto é lindo mas merece respeito.


O primeiro grupo de pilares chama a atenção. Ao longo da descida, há outras estruturas parecidas e os olhos vão se acostumando. Foi difícil não parar para uma foto.



O dia estava muito nublado. Me disseram que é raro encontrar um cenário diferente aqui. Espero ter a chance de fotografar novamente com sol. De qualquer modo o visual é muito belo, a vegetação é exuberante. Há quem goste de descer rápido, mas eu prefiro pedalar com calma e apreciar o ambiente e o cenário.



Somente alguns trechos de asfalto estão nessas condições precárias. Os locais mais deteriorados são os que ficam próximos ou logo abaixo de onde há deslizamentos e enxurradas no verão.



Após o primeiro terço da descida há uma queda d'água. O cano azul foi colocado ali propositalmente, para facilitar a coleta de água, já que a mesma é potável. A área próxima a essa queda e a região logo abaixo foi muito danificada no verão de 2013, devido aos deslizamentos que interditaram a estrada de manutenção por quase um mês.



Esta é a vista bem da frente da cachoeira


Ao lado da queda d'água,  há um túnel de acesso, que leva para dentro de um dos túneis da Imigrantes. É apenas uma curiosidade. É divertido observar a passagem dos carros de um ponto de vista que poucas pessoas tiveram. É até um pouco estranho estar lá dentro vendo os carros passando e olhar para o lado e ver a sua bicicleta.




Se observar a foto abaixo com cuidado, vai perceber que logo acima da cachoeira há uma estrutura reta. Esta estrutura é a pequena ponte onde tirei a foto seguinte.



Descendo a estrada, passamos por muitos pontos de acesso que conectam a rodovia e a estrada de manutenção. Estes pontos de acesso passam despercebidos quando estamos trafegando de carro.


 

No final da serra há um posto de controle do Parque Estadual da Serra do Mar. Não recomendo ficar aqui muito tempo, os insetos quase sugaram todo o meu sangue. A proximidade dos mangues propicia a proliferação deles.



O vídeo abaixo é um resumo de 15 minutos da descida da estrada de manutenção. É um pouco longo, já que procurei dar a ele um tom mais informativo, incluindo algumas tomadas dos pontos mais famosos do trajeto. Espero ajudar quem não conhece o trajeto e deseja ter uma noção mais precisa do cenário que vai encontrar.


A partir deste ponto atravessamos um trecho onde já ocorreram roubos de bicicletas. É um trecho de aproximadamente 2,5 Km até passarmos por baixo da Rodovia Anchieta, que destaquei no mapa abaixo. É  recomendável atravessar este trecho em grupo para evitar aborrecimentos.


Visualizar Rota Marcia Prado em um mapa maior

No trajeto até a praia só tirei essa foto feia do peixe que fica na margem da Rodovia Anchieta, já em Santos. O trajeto até a praia é tranquilo, é só tomar cuidado para se manter na pista lateral da Rodovia Anchieta, há acostamento por todo o trajeto e quando chegamos na Rodoviária de Santos, seguimos pela Ciclovia até o Canal 1.


No Canal 1 há alguns quiosques. Claro que só vendem comida ruim. Se você não estiver com muita fome, recomendo a lanchonete da Rodoviária de Santos, é grande e tem opções mais saudáveis.



Da praia até a rodoviária, a distância é de aproximadamente 4 Km. Passamos em frente à rodoviária no caminho até a praia, mas não dá pra realizar a Rota Marcia Prado e não pedalar até o mar! 

Quando retornar para a rodoviária, antes de comprar as passagens pergunte em todas as companhias qual o próximo horário disponível. Algumas empresas são mais organizadas que outras e informam a quantidade de bicicletas permitidas em cada partida e quantas vagas já estão ocupadas. Em geral, se você não escolher o último dia de um feriado prolongado para realizar  a rota, vai conseguir embarcar em no máximo 30 minutos após chegar na rodoviária. O trajeto até o terminal do Jabaquara demora uma hora e dez minutos.

Álbum de fotos:
Clique aqui para visualizar mais fotos no Picasa

Arquivos com as rotas: 
Link com a rotas (courses) no garmin connect:
Rota Marcia Prado: http://connect.garmin.com/course/3607172

Link com as rotas no Endomondo:
Rota Marcia Prado: http://www.endomondo.com/routes/190403903

Link com os treinos que realizei nos percursos acima:
Rota Marcia Prado: http://connect.garmin.com/activity/315249676

Se você criar uma conta no Garmin Connect (gratuitamente) e conectar com o seu usuário, terá acesso a opção de exportação do arquivo com o trajeto das trilhas acima, nos formatos tcx, gpx e kml.
Se você possuir um aparelho de navegação por GPS compatível com um desses formatos, poderá importar as informações para ele.

Tomei a liberdade de referenciar o mapa abaixo, com vários detalhes e pontos de interesse da Rota Márcia Prado. O mapeamento original foi feito pelo Instituto CicloBR, o  transporte para o Google Maps, adaptação e marcação de locais pelo Vá de Bike.



Ver Rota Cicloturística Márcia Prado num mapa maior