terça-feira, 18 de junho de 2013

Trilha do Rio Quilombo - Paranapiacaba - SP

O Vale do Rio Quilombo se localiza entre as regiões de Paranapiacaba, Cubatão e Bertioga, é uma região extensa de mata preservada, com muitas cachoeiras e um cenário incrível.

Fiz a trilha em maio de 2013 com o monitor ambiental Osmar Losano que sempre me acompanha em Paranapiacaba.
Aproveito para colocar aqui os dados de contato dele, recomendo muito o Osmar pela sua competência e seriedade.
Facebook: http://www.facebook.com/osmar.losano
Celular: (11) 98844-0755
Email: losanobio@hotmail.com

A trilha tem aproximadamente 10 Km (só para ir) e mais 10 para voltar, ou seja, 20 Km de caminhada no mato em um único dia. Este foi meu recorde. Não foi a trilha mais difícil que já fiz (O Pico do Baepi foi mais difícil) mas essa merece um segundo lugar.


O passeio é completamente recomendado se seu interesse é contato com a natureza, em uma região extremamente preservada.


Quase todas as trilhas em Paranapiacaba, começam com um bando de cachorros nos perseguindo. Claro que não para nos atacar. Eles estão muito acostumados a ganhar comida dos turistas e não perdem nenhuma chance para tentar comover quem passa, fingindo-se de coitados e com olhares molhados.

Partimos às 7:30 em um dia frio, mas ensolarado. A neblina da manhã rapidamente se dissipou, e o céu ficou completamente limpo.


Não importa qual seja o clima, eu recomendo muito realizar qualquer trilha com calça e camiseta de manga longa. Se você tiver que atravessar um rio ou for pego de surpresa por uma chuva, é fundamental secar rápido para não passar frio. Se estiver um sol de rachar, você não vai querer passar calor. Se possível use camisetas de material sintético, dessas para praticar esporte, nunca use algodão.


No início da caminhada, subimos pela estrada de terra, o morro que liga a vila de Paranapiacaba até Taquarussu. A ladeira serviu para espantar o frio da manhã.


Depois de alguns quilômetros nos embrenhamos no meio da mata e a parte divertida do passeio começou.


As trilhas mais interessantes e mais bonitas da vila não fazem parte dos roteiros oficiais de Paranapiacaba.

Normalmente, o "ecoturismo" vendido pelas agências, acontece em locais onde foi instalada infra-estrutura, sinalização, banheiros, pequenas pontes de madeira e cordas para facilitar o acesso. Além disso, o número de visitantes é tão alto que demarca muito intensamente o solo.


As trilhas ecoturísticas de verdade, onde não houve degradação da natureza, tendem a se desfazer com facilidade, o mato cresce rápido e ocupa o espaço. As pessoas se perdem porque conseguem localizar os vestígios da trilha na ida, mas na volta não conseguem encontrar o caminho.

Nunca faça uma trilha desse tipo sem um guia confiável. Eu só recomento quem eu conheço e confio, por conta disso indico o Osmar como monitor ambiental em Paranapiacaba (contatos no início desta postagem), assim como indico o Guido em Ilhabela e o Peixe no Petar.


Logo que entramos na mata, encontramos muito bambu. Eles não são nativos da região. Início da trilha também encontramos muitos vestígios da época em que árvores da região eram cortadas para fornecer carvão para a ferrovia. Ainda encontramos restos dos fornos utilizados para queima do carvão.

Vídeo mostrando as locomotivas de Paranapiacaba em 1976

Depois de uns 2 ou 3 quilômetros os vestígios do homem ficam mais difíceis de encontrar, e a mata muito mais fechada.


A partir desse ponto não dá para ter pressa. Há muitos obstáculos, árvores caídas, trechos escorregadios e muita vegetação exuberante.


Em alguns pontos do percurso as folhas eram tão largas que escondiam completamente o solo. Nestes locais é necessário muito cuidado para não tropeçar ao chutar uma pedra, raiz de árvore, ou mesmo um cipó.


As bromélias estão sempre presentes na região e esta tinha um vermelho tão intenso que chamou minha atenção.


Perto das 10:30, após 3 horas de caminhada, o sol mais intenso aumentou um pouco a temperatura, o que foi ótimo.


É comum cruzar pequenos córregos e riachos na região e nesta trilha não poderia ser diferente, já que estávamos nos dirigindo para o vale do Rio Quilombo,


No caminho passamos por duas colinas até chegar no vale. Isso implica que ao sair da vila subimos, depois descemos, subimos novamente para finalmente descer até leito do rio. As fotos abaixo são do topo da primeira colina.



Ao longo do caminho encontramos um enorme cipó enroscado em uma árvore. A formação é muito bonita e as fotos não captam toda a beleza do local.



Quando estamos a 3 Km do destino, iniciamos uma forte descida. Essa é a parte mais difícil do trajeto. Na ida, o terreno inclinado dificulta a caminhada e exige cautela. Na volta, a subida é um bom treino para as pernas e quadris. :)

Claro que todo esforço tem suas recompensas. Acho que poucas pessoas tem uma foto de Santos, tirada de Paranapiacaba.

Pesquisando na internet cheguei a este artigo na wikipédia (que pode estar completamente errado!) mas que vou indicar aqui porque contém uma curiosidade sobre a palavra Paranapiacaba.

"Paranapiacaba" originou-se do termo tupi paranapiacaba, que significa "lugar de onde se vê o mar", através da junção de paranã (mar), epiak (ver) e aba (lugar)" (Retirado da Wikipedia)



O trajeto até o Rio demorou 6 horas. Optamos por ficar por lá bastante tempo para curtir o local. Não tirei fotos mas filmei o local. O vídeo abaixo tem 2 minutos e dá uma ideia da beleza do local. Não vou mentir, a água estava muito gelada! :D



Curtimos um bom banho gelado e almoçamos. Iniciamos nossa volta às 15:00. Sabíamos que iríamos caminhar à noite, mas preferimos passar mais tempo na cachoeira. Não faz sentido andar 6 horas e não aproveitar o prêmio.



No caminho de volta, uma foto bonita dos últimos momentos do sol iluminando a outra montanha. Esse momento marcou o início da minha primeira experiência caminhando durante a noite na mata fechada.


Fiquei muito atento ao chão e de vez em quando um galho mais baixo atingia a minha cabeça! Andar em fila indiana, em um grupo compacto, de modo que as luzes das várias lanternas se somam para iluminar a área, facilita bastante.

O trajeto de volta também demorou 6 horas. Chegamos na vila de Paranapiacaba às 21:00 horas.

Na volta havia muita neblina na estrada. Nestes casos sugiro voltar para São Paulo sem utilizar a Rodovia Índio Tibiriçá para acessar a Rodovia Anchieta. É mais seguro seguir direto pela Rodovia Dep. Antonio Adib Chamas (saindo de Paranapiacaba) e entrar em Ribeirão Pires, de lá seguir até Mauá e depois para Santo André. O caminho é fácil e eu acho mais seguro atravessar Ribeirão Pires pelo trecho urbano quando a neblina está muito forte.

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